• Rosana Seager

a primogênita

Atualizado: 18 de jan.


A primogênita é a única que vive a exclusividade de ser filha única.


Minha primogênita, Clara, recebeu 1365 dias de mãe exclusiva para ela. Um colo só para ela. Duas mãos para ela escolher qual das duas queria segurar. Dois olhos somente para ela. Um coração somente para ela.


Ela também recebeu uma mãe crua, esboço de mãe, cheia de dúvidas, inseguranças, que errou (e ainda erra muito). Uma mãe menos madura, que recebeu a maternidade como uma puxada de tapete, que se perdeu, se achou, se perdeu de novo e continua se reencontrando e reinventando.


Vida, morte, vida.


Falamos muito desse processo da matrescência. Como é de fato um constante processar de dados, aprendizados, transformações, mudanças, crescimento, expansão.


O que você sente ao olhar para trás e ver todo o caminho que já percorreu nessa estrada?

Alegria, culpa, saudade, “graças a deus já passou a parte mais difícil”, amor sobre-humano, cansaço sobre-humano, sensação de que o tempo corre ou às vezes demora demais?


Aquele ser que chega de pára-quedas (mesmo quando houve planejamento prévio) chega na família sem muitas expectativas. Nós é que estamos e somos expectativa pura sempre.

Como fazer para irmos de encontro com nosso primogênito, adentrar seu mundo e também permitir que ele/a adentre o nosso?


Um eterno equilíbrio de expectativas vs. realidade; encontros e desencontros conosco mesmas; compreensão e incompreensão; amar e ser amada; dormir e ficar acordada; ceder e limitar; morrer e renascer; adaptar e manter; mudar e permanecer.


Primogênitos são fortes. São corajosos. São nossos primeiros professores do maternar. São generosos com nossas falhas. São doces no olhar. São incrivelmente incríveis.


Quanta gratidão eu tenho por essa minha primogênita, Clara, que me ensina muito todos os dias.


Que eu possa ter pelo menos 1% de todas essas qualidades, para cada dia poder ser uma melhor pessoa para você e para sua irmã, porque vocês merecem tudo isso e muito mais.