• Rosana Seager

Duas filhas


Elas agora desenham juntas.

Cada uma faz um olho, a outra faz o nariz, a outra a boca e assim vai.


Nesse meu desenhar do meu maternar de duas, nunca imaginei testemunhar tantas cenas de parceria como vejo nelas duas.

Quando eu pensava na Clara tendo um(a) irmã(o) eu sabia que era legal, que era bacana por todo o aprendizado de dividir, de compartilhar, etc, etc, mas eu pensava muito mas brigas, nas dificuldades de ter duas crianças em casa.

Talvez seja pelo fato de mesmo tendo dois irmãos, eu não cresci ao lado deles. Lembro bastante do meu irmão mais velho implicando comigo (implica até hoje rsrs, mas a gente se ama mesmo assim) só para me ver chateada e falando: manhêê, Daniel falou isso isso e aquilo!


Não vou florear a vida com duas crianças, até porque é uma senhora escolha e decisão criar dois seres humanos nesse mundo - enorme respeito por quem opta por ter só uma.

Ter duas crianças pequenas inclui um zilhão de brigas e intrigas antes mesmo de 7h da manhã.


Porém, o que eu testemunho diariamente, também, é algo difícil de descrever em palavras :

Na troca de olhares, de carinhos, de gentilezas;

Do orgulho de uma para a outra quando uma conquista algo legal;

Da parceria nas brincadeiras;

De dormirem juntas no mesmo quarto (coisa que eu morria de medo de uma ficar acordando a outra e eu nunca mais dormir);

De estarem na mesma turma da escola e mesmo assim terem seus próprios amigues e conquistas diária;

De serem tão diferentes uma da outra e fazerem meu coração transbordar de maneira tão única e específica da personalidade de cada uma.


Por todas as loucuras de ter duas crianças: pelo orçamento apertado, pela falta de tempo para trabalhar mais e ter tempo para mim; por todas as interrupções de frases entre eu e qualquer outro adulto; pelas brigas entre elas; pela pilha de roupa para lavar, pendurar, recolher e guardar todos os dias;

Não troco por nada ser mãe dessas duas amadas que me encantam (e me enlouquecem) todos os dias.